{"id":3351,"date":"2017-08-18T08:17:48","date_gmt":"2017-08-18T11:17:48","guid":{"rendered":"http:\/\/lighthouse.ancorathemes.com\/?p=77"},"modified":"2017-08-18T08:17:48","modified_gmt":"2017-08-18T11:17:48","slug":"como-nasceu-o-iga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/geracaoamanha.org.br\/teste\/como-nasceu-o-iga\/","title":{"rendered":"Como nasceu o IGA (Demo)"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00a0<\/em><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\"><em>A viv\u00eancia com o processo de ado\u00e7\u00e3o e a experi\u00eancia da ado\u00e7\u00e3o tardia. E uma mem\u00f3ria que n\u00e3o tem como ser apagada: a das crian\u00e7as que ficaram no abrigo quando fui buscar meu filho. <\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">Julho de 2015*. Ap\u00f3s mais de tr\u00eas anos esperando por um filho, finalmente o meu, t\u00e3o desejado, chegou. O perfil da crian\u00e7a que escolhi era considerado um dos mais abertos, mas nem por isso a demora foi razo\u00e1vel\u00a0\u2013 eu aceitava irm\u00e3os de at\u00e9 cinco anos, independente de sexo, de qualquer lugar do Brasil. Isso mesmo, a fam\u00edlia que adota pode selecionar uma s\u00e9rie de crit\u00e9rios como idade, sexo, cor, doen\u00e7as e hist\u00f3rico familiar. E, dependendo do perfil escolhido, o tempo de espera pode ser maior ou menor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">A audi\u00eancia final aconteceu numa tarde de segunda-feira. Depois de horas intermin\u00e1veis com advogado, juiz, promotor, conselheiros tutelares, psic\u00f3logas, assistentes sociais e toda a equipe t\u00e9cnica do f\u00f3rum, fomos buscar meu filho, Bruno*, com quatro anos, direto no\u00a0<strong>abrigo<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">At\u00e9 hoje n\u00e3o sei dizer se essa decis\u00e3o foi acertada ou n\u00e3o. Alguns ju\u00edzes fariam todo esse processo no f\u00f3rum. Eu tive que presenciar uma despedida dram\u00e1tica que o abrigo organizou para o Bruno. No final, v\u00e1rias crian\u00e7as estavam aos prantos e agarradas em n\u00f3s, pedindo para lev\u00e1-las junto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">Do ponto de vista emocional, tanto para mim quanto para meu filho, qualquer psic\u00f3logo entender\u00e1 esse epis\u00f3dio como um momento traum\u00e1tico. Por outro lado, a mem\u00f3ria dessa cena, deu o start para um sonho antigo, de\u00a0criar\u00a0uma\u00a0<strong>ONG<\/strong>. Da\u00ed, para a ideia do\u00a0<strong>Instituto Gera\u00e7\u00e3o Amanh\u00e3<\/strong>\u00a0foi um passo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">Vivi o pior e o melhor dos mundos em todas as \u00e1reas. Falando das \u00f3bvias, est\u00e3o o longo tempo de espera, o burocr\u00e1tico e embolado processo jur\u00eddico, a dif\u00edcil adapta\u00e7\u00e3o do Bruno \u00e0 nova vida, o total desconhecimento de seu hist\u00f3rico m\u00e9dico e psicol\u00f3gico. Mas tamb\u00e9m passei por momentos lindos e memor\u00e1veis. Na hora da despedida do abrigo, a primeira\u00a0pergunta do Bruno foi \u201cvamos para casa?\u201d. N\u00e3o tem como esquecer, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">Conheci profissionais da equipe t\u00e9cnica e jur\u00eddica que mostraram inefici\u00eancia, despreparo e displic\u00eancia no mais elevado grau. E tive, n\u00e3o por acaso, a oportunidade de conhecer algumas das pessoas mais altru\u00edstas, dedicadas e comprometidas: a psic\u00f3loga, o juiz, o promotor e suas assistentes afetivas e preocupadas com \u201co pr\u00edncipe\u201d, que era como chamavam Bruno. Gente que queria acertar e acelerar o processo, porque achava que aquele menino j\u00e1 tinha sofrido, em apenas quatros anos, o que muita gente n\u00e3o vivenciou em toda a exist\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">E, por uma daquelas coincid\u00eancias que acredito serem predestinadas, tive o privil\u00e9gio de conhecer o dr. S\u00e9rgio Luiz Kreuz. Este juiz paranaense, sem eu saber, orientou o caso de Bruno* e foi decisivo para que o processo de ado\u00e7\u00e3o do meu filho acontecesse.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">O dr. S\u00e9rgio \u00e9, sem d\u00favida, um dos ju\u00edzes mais engajados e mais atuantes na causa da ado\u00e7\u00e3o e do Acolhimento Familiar no Brasil. Seu programa de Fam\u00edlia Acolhedora de Cascavel \u00e9 o maior da Am\u00e9rica Latina e uma refer\u00eancia internacional. Em nossas longas conversas, conheci o Acolhimento Familiar e v\u00e1rias quest\u00f5es come\u00e7aram a fazer sentido para mim.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">Gra\u00e7as a esses \u201cdois lados da hist\u00f3ria\u201d que vivi na pr\u00e1tica, a semente de uma\u00a0<strong>organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos<\/strong>\u00a0foi tomando forma. Afinal, por que n\u00e3o existiam informa\u00e7\u00f5es s\u00e9rias e aprofundadas dispon\u00edveis sobre a ado\u00e7\u00e3o e a adapta\u00e7\u00e3o em casos de ado\u00e7\u00e3o tardia? \u00a0Por que demora tanto para adotar? Por que existem Varas da Inf\u00e2ncia e Juventude que mal se mexem, enquanto outras s\u00e3o recordistas em\u00a0<strong>ado\u00e7\u00f5es<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>acolhimento familiar<\/strong>? Por que o acolhimento institucional \u00e9 o mais utilizado no Brasil, embora a lei diga que o Acolhimento Familiar \u00e9 priorit\u00e1rio? Por que h\u00e1 profissionais que tratam o processo de forma humanizada e uma maioria que pouco se importa com o futuro de cada uma dessas crian\u00e7as?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">Como tenho como modus operandi ir fundo no que me proponho, comecei um p\u00e9riplo de conversas com advogados, ju\u00edzes, promotores, psic\u00f3logos, neurologistas e m\u00e9dicos. A ideia inicial foi entender meu pr\u00f3prio processo de adapta\u00e7\u00e3o e o do Bruno. E, claro, reverter os d\u00e9ficits que ele apresentava em v\u00e1rias \u00e1reas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">Ouvindo alguns dos nossos melhores profissionais e pesquisando como pa\u00edses desenvolvidos tratam a quest\u00e3o, o\u00a0<strong>Instituto Gera\u00e7\u00e3o Amanh\u00e3<\/strong>\u00a0chegou ao formato atual. Uma institui\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos, que tem como miss\u00e3o promover e incentivar a ado\u00e7\u00e3o e o acolhimento familiar no Brasil. Esta, uma alternativa amplamente utilizada na Europa e nos Estados Unidos, mas ainda pouco difundida por aqui.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">Para criar o Instituto, partimos do princ\u00edpio de que n\u00e3o existe mudan\u00e7a sem conscientiza\u00e7\u00e3o. E que tudo depende, em ess\u00eancia, de informa\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o. Estamos aqui para isso. E contamos com sua ajuda para divulgar e compartilhar essa ideia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 16px; color: #000000;\"><strong><em>Sandra Sobral<\/em><\/strong><em>\u00a0<\/em><em>\u00e9 Presidente do Instituto Gera\u00e7\u00e3o Amanh\u00e3 e m\u00e3e de um garotinho lindo e muito esperto.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 16px; color: #000000;\"><em>*As datas e o nome s\u00e3o fict\u00edcios.\u00a0<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A viv\u00eancia com o processo de ado\u00e7\u00e3o e a experi\u00eancia da ado\u00e7\u00e3o tardia. E uma mem\u00f3ria que n\u00e3o tem como ser apagada: a das crian\u00e7as que ficaram no abrigo quando fui buscar meu filho. Julho de 2015*. 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