{"id":2541,"date":"2019-07-12T11:05:33","date_gmt":"2019-07-12T14:05:33","guid":{"rendered":"https:\/\/geracaoamanha.org.br\/teste\/?p=2541"},"modified":"2021-04-22T16:09:08","modified_gmt":"2021-04-22T19:09:08","slug":"as-dores-da-adocao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/geracaoamanha.org.br\/teste\/as-dores-da-adocao\/","title":{"rendered":"As dores da ado\u00e7\u00e3o: um bate-papo com Luiz Schettini Filho"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">Toda ado\u00e7\u00e3o envolve muitos sonhos, expectativas e alegrias. E, como qualquer grande transforma\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m vem acompanhada de muitos desafios. M\u00e3e biol\u00f3gica, fam\u00edlia adotiva e claro, a crian\u00e7a, passam por questionamentos e situa\u00e7\u00f5es que exigem perseveran\u00e7a, amor, compreens\u00e3o e di\u00e1logo. E, em especial, precisam superar uma fase muito especial, que os especialistas chamam de \u201cas dores da ado\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px;\"><span style=\"color: #000000;\">A<\/span> <span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #00ccff;\"><a style=\"color: #00ccff; text-decoration: underline;\" href=\"https:\/\/adocaopassoapasso.com.br\/passo-a-passo\/guia-adocao-passo-passo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ado\u00e7\u00e3o<\/a><\/span><\/span> <span style=\"color: #333333;\">p<span style=\"color: #000000;\">ode ser extremamente enriquecedora, repleta de aprendizados para todos que participam do processo em qualquer fase, mas n\u00e3o exclui os momentos de dor. Para falar do tema, o Instituto Gera\u00e7\u00e3o Amanh\u00e3 entrevistou<\/span><\/span> <span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #00ccff;\"><a style=\"color: #00ccff; text-decoration: underline;\" href=\"https:\/\/twitter.com\/luizschettinifi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Schettini Filho<\/a><\/span><\/span><span style=\"color: #333333;\">, <span style=\"color: #000000;\">psic\u00f3logo, fil\u00f3sofo, professor e autor de mais de 25 livros sobre ado\u00e7\u00e3o (entre eles \u201cAs Dores da Ado\u00e7\u00e3o\u201d) e um dos mais respeitados estudiosos sobre o tema. Aqui, ele explica com clareza sobre como lidar com a realidade romantizada da ado\u00e7\u00e3o versus a realidade da conviv\u00eancia, que como toda rela\u00e7\u00e3o parental traz dores e desafios.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">\u201cEssa ideia tem a ver com o fato de tentarmos mostrar que a ado\u00e7\u00e3o, mesmo sendo positiva e romantizada pelas pessoas, tem tamb\u00e9m suas dores. E quando me refiro \u00e0s dores da ado\u00e7\u00e3o, estou englobando uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o naturais na conviv\u00eancia humana, sobretudo na rela\u00e7\u00e3o parental\u201d, explica Schettini.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 24px;\"><strong>Confira o bate-papo:<\/strong><\/span><\/h2>\n<h3><strong>IGA: Quais s\u00e3o as dores da ado\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #993300;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Schettini: <\/strong>Quando falamos das dores da ado\u00e7\u00e3o, temos que fazer uma divis\u00e3o. Existem dores em tr\u00eas est\u00e1gios, cada um com sua complexidade.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 24px;\"><strong>As dores da ado\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 24px;\"><strong>Da m\u00e3e que disponibiliza para ado\u00e7\u00e3o a crian\u00e7a que ela gerou,<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 24px;\">Da crian\u00e7a que deixa sua origem para se ligar a uma fam\u00edlia e construir uma nova rela\u00e7\u00e3o parental,<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 24px;\"><strong>Dos pais que adotam.<\/strong><\/span><\/p><\/blockquote>\n<h3><strong>IGA: como fica a quest\u00e3o da hist\u00f3ria da crian\u00e7a ou do adolescente?<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 16px; color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000; font-size: 20px;\">Schettini<\/span>: <\/strong><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">A ado\u00e7\u00e3o est\u00e1 permeada dos fatos relativos \u00e0 origem. N\u00e3o existem pessoas sem hist\u00f3rias. N\u00e3o h\u00e1 pessoa real sem uma hist\u00f3ria, e uma hist\u00f3ria pressup\u00f5e um come\u00e7o e, imagina-se, um fim. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber como ser\u00e1 o fim, mas temos a necessidade de ter, por mais vago que seja, uma informa\u00e7\u00e3o da nossa origem. E para um filho adotado isso conta muito. O desconhecimento da origem \u00e9 presente na maior parte dos casos de ado\u00e7\u00e3o, com crian\u00e7as e adolescentes que sabem pouco ou nada sobre sua origem.<\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 24px;\"><strong>Quando n\u00e3o se conhece a origem, existem idealiza\u00e7\u00f5es. <\/strong><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<h3><strong>IGA: O que significa o desconhecimento, para a crian\u00e7a, de sua hist\u00f3ria?<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 16px; color: #333333;\"><strong><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">Schettini<\/span>: <\/strong><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">Quando a crian\u00e7a ou adolescente adotado n\u00e3o tem nenhuma informa\u00e7\u00e3o mais concreta sobre sua origem, ela tende a ter alguns aspectos de seu desenvolvimento alterados, tornando-se, por exemplo, sexualmente precoce. Uma precocidade que me chamou a aten\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos 25 anos em que tenho estudado a ado\u00e7\u00e3o. Comecei a perguntar o porqu\u00ea e ficou claro que essas crian\u00e7as t\u00eam apenas uma certeza concreta sobre sua origem: a de que foram fruto de uma rela\u00e7\u00e3o sexual. Essa informa\u00e7\u00e3o concreta pode vir a acelerar essa din\u00e2mica, que teria um ritmo diferente na m\u00e9dia das outras crian\u00e7as.<\/span><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2514\" aria-describedby=\"caption-attachment-2514\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2514\" src=\"https:\/\/geracaoamanha.org.br\/teste\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/as-dores-da-adocao-crianca.jpg\" alt=\"as dores da adocao crian\u00e7a\" width=\"400\" height=\"298\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2514\" class=\"wp-caption-text\">Dores da ado\u00e7\u00e3o: falta de informa\u00e7\u00f5es concretas sobre a origem tem impacto direto no desenvolvimento da crian\u00e7a.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>IGA: Quais s\u00e3o as dores da crian\u00e7a?<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 16px; color: #333333;\"><strong><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">Schettini<\/span>: <\/strong><span style=\"color: #000000; font-size: 20px;\">Essa crian\u00e7a tem sofrimento ao ser desligada de sua origem. Por\u00e9m h\u00e1 quem questione: \u201ce se ela foi para ado\u00e7\u00e3o, por exemplo, logo ao nascer?\u201d A resposta \u00e9\u00a0\u201csim, tamb\u00e9m haver\u00e1 dores, pois existiu uma vida intrauterina.\u201d Hoje sabemos que as dificuldades de muitas crian\u00e7as e, consequentemente de muitos adultos, t\u00eam explica\u00e7\u00e3o nos traumas chamados de perinatais. Que acontecem n\u00e3o s\u00f3 na fase da vida intrauterina, mas relacionados \u00e0s circunst\u00e2ncias do nascimento e ao encontro com a realidade fora do \u00fatero materno. O psiquiatra checo Stanislav Grof fez uma s\u00e9rie de pesquisas e experi\u00eancias h\u00e1 quase trinta anos e ainda hoje persiste nisso, j\u00e1 em outro n\u00edvel, com comprova\u00e7\u00f5es interessantes sobre o tema, especialmente no livro \u201cA Psicologia do Futuro&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<h3><strong>IGA: Como a psicologia v\u00ea a hist\u00f3ria da crian\u00e7a adotada?<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 16px; color: #333333;\"><strong><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">Schettini<\/span>: <\/strong><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">Mesmo uma crian\u00e7a que \u00e9 encaminhada para ado\u00e7\u00e3o logo ap\u00f3s seu nascimento j\u00e1 vem com hist\u00f3ria, com coisas inscritas que ela evidentemente n\u00e3o tem consci\u00eancia. A\u00ed nos reportamos a Freud, \u00e0 quest\u00e3o do inconsciente, em que as \u201cimagens\u201d s\u00e3o registradas e depois se manifestam de forma objetiva, sem que tenhamos conhecimento de como apareceram. Mas elas vieram de uma inscri\u00e7\u00e3o que foi feita em alguma \u00e9poca, pois n\u00e3o ocorre s\u00f3 com a crian\u00e7a muito jovem. A crian\u00e7a adotada vem com uma hist\u00f3ria, e isso n\u00e3o deve ser considerado somente de forma quantitativa, ou seja, os anos em que ela viveu com os pais genitores. O tempo a\u00ed n\u00e3o conta tanto, mas sim a qualidade e o significado dos acontecimentos. Por\u00e9m, \u00e9 \u00f3bvio que uma crian\u00e7a adotada aos 7, 8, 9, 10 anos ou mais j\u00e1 vem com mais hist\u00f3ria constru\u00edda.<\/span><\/span><\/p>\n<h3><strong>IGA: Explique por favor a express\u00e3o que diz que somos \u201ccodeterminados\u201d.<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 16px; color: #333333;\"><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\"><strong>Schettini: <\/strong>O neurobi\u00f3logo chileno Humberto Maturana tem uma express\u00e3o muito interessante que diz que \u201cn\u00f3s n\u00e3o somos predeterminados, mas sim codeterminados\u201d. Ou seja, temos uma hist\u00f3ria gen\u00e9tica que conduz nossa forma de ser em alguma medida, mas isso inclui o que ocorre no ambiente \u00e0 nossa volta, seja o intrauterino ou ap\u00f3s o nascimento.<\/span><\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-size: 24px;\"><strong>O ambiente &#8211; de forma bem abrangente, e sobretudo as pessoas &#8211;\u00a0 insere-se na forma\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a e do adolescente e vice-versa. Assim se constr\u00f3i a pessoa, com suas singularidades, em parte determinada pela gen\u00e9tica e em parte absorvidas do ambiente.<\/strong><\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: 16px;\"><span style=\"color: #000000; font-size: 20px;\">N\u00f3s absorvemos muito das pessoas com quem convivemos. Sabemos que todas as crian\u00e7as, sem exce\u00e7\u00e3o, nascem com a capacidade de falar qualquer idioma, mas falar\u00e3o primeiro o idioma das pessoas com quem convivem. Esse processo tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro em rela\u00e7\u00e3o ao comportamento humano. Primeiro, as crian\u00e7as v\u00e3o absorver determinados comportamentos e formas de ser das pessoas com quem convivem diariamente no<\/span> <span style=\"font-size: 20px;\"><a href=\"https:\/\/geracaoamanha.org.br\/teste\/vinculo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ambiente familiar<\/a>.<\/span><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2515\" aria-describedby=\"caption-attachment-2515\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2515\" src=\"https:\/\/geracaoamanha.org.br\/teste\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/as-dores-da-adocao-fam\u00edlia-1.jpg\" alt=\"as dores da adocao fam\u00edlia\" width=\"400\" height=\"266\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2515\" class=\"wp-caption-text\">Desafios no ambiente familiar: crian\u00e7a absorve comportamentos das pessoas com quem convive.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>IGA: A sensa\u00e7\u00e3o de abandono \u00e9 uma das dores da ado\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 16px; color: #333333;\"><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\"><strong>Schettini: <\/strong>Sim, toda ado\u00e7\u00e3o carrega em si uma forma de abandono. Os sofrimentos s\u00e3o muitos, de v\u00e1rias naturezas. Desde a m\u00e3e que deixa seu filho por decis\u00e3o pr\u00f3pria &#8211; e n\u00e3o importa chamarmos isso de abandono, pois toda ado\u00e7\u00e3o carrega em si uma forma de abandono. At\u00e9 mesmo quando a gestante morre durante o parto, isso \u00e9 visto pela crian\u00e7a como abandono, uma vez que ela n\u00e3o tem consci\u00eancia do que ocorreu e foi apartada de sua m\u00e3e biol\u00f3gica. Posteriormente ela pode compreender a hist\u00f3ria e racionalizar, mas n\u00e3o num primeiro momento.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<h3><strong>IGA: Quais s\u00e3o as rupturas presente na ado\u00e7\u00e3o? E quais s\u00e3o as dores que elas acarretam? <\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 16px; color: #333333;\"><strong><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">Schettini<\/span>: <\/strong><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">No processo adotivo existe uma din\u00e2mica muito peculiar que podemos resumir como uma rela\u00e7\u00e3o \u201centre o parto e a partida\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<blockquote><p><strong style=\"font-size: 24px; text-align: justify;\">O parto \u00e9 como se fosse o momento em que acontece a ado\u00e7\u00e3o. A partida \u00e9 o processo.\u00a0<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">O sofrimento que existe \u00e9 voltar \u00e0 origem, de ter uma rela\u00e7\u00e3o com essa hist\u00f3ria, fantasiada ou n\u00e3o, mas necess\u00e1ria, uma vez que a crian\u00e7a precisa de um ponto para se apoiar. Por isso o filho adotado \u00e9 peculiar\u00a0&#8211; ele n\u00e3o \u00e9 como as crian\u00e7as que n\u00e3o viveram essa ruptura. A vida do filho adotivo passa necessariamente por um processo de ruptura que esperamos que se consolide numa sutura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">As duas experi\u00eancias s\u00e3o dolorosas, tanto a ruptura que \u00e9 a partida, quanto a sutura que \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o com a nova fam\u00edlia. Isso lembra a posi\u00e7\u00e3o do bi\u00f3logo su\u00ed\u00e7o Adolf Portmann, que diz que &#8220;n\u00f3s chegamos a esse ambiente atrav\u00e9s do \u00fatero biol\u00f3gico, mas continuamos nosso desenvolvimento no \u00fatero social&#8221;. E isso \u00e9 intermin\u00e1vel, o \u00fatero social n\u00e3o termina nunca.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><strong>IGA: Seguindo essa perspectiva de Portmann, qual o papel da conviv\u00eancia?\u00a0 <\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 16px; color: #333333;\"><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\"><strong>Schettini: <\/strong>Desde pequenos aprendemos na escola que tanto o planeta quanto o corpo humano s\u00e3o constitu\u00eddos por propor\u00e7\u00f5es parecidas, de 70% de mat\u00e9ria l\u00edquida e 30% de mat\u00e9ria s\u00f3lida. Creio que n\u00e3o aprendemos essa rela\u00e7\u00e3o sem um prop\u00f3sito. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 estranho falar sobre \u00fatero biol\u00f3gico e \u00fatero social dentro dessa conting\u00eancia.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 20px; color: #000000;\">O famoso fil\u00f3sofo Immanuel Kant disse que &#8220;vivemos em um planeta esf\u00e9rico, o que significa que mais dia, menos dia, iremos nos encontrar&#8221;. Acho isso muito interessante, pois a grande mola que move as pessoas \u00e9 a mola da conviv\u00eancia, que n\u00f3s jamais conseguimos dispensar, ainda que a conviv\u00eancia muitas vezes passe a ser uma dor. N\u00e3o podemos dispensar essa dor por conta da conviv\u00eancia que \u00e9 inerente ao ser humano. Acredito, portanto, que na quest\u00e3o da filia\u00e7\u00e3o adotiva est\u00e1 embutida a grande busca de uma conviv\u00eancia satisfat\u00f3ria que promova seguran\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toda ado\u00e7\u00e3o envolve muitos sonhos, expectativas e alegrias. E, como qualquer grande transforma\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m vem acompanhada de muitos desafios. 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